Apelo ao ser em comum…

AOS ANARQUISTAS QUE APOIAM O CCL

É com base na análise do articulado do acordo de funcionamento interno do Centro de Cultura Libertária, que terá sido subscrito por um núcleo de activistas e aprovado por unanimidade dos sócios presentes na Assembleia de Geral, que se justifica rever alguns dos seus aspectos e hoje adequá-los à nossa experiência. Hoje, tal como ontem, importa fazer ajustamentos que perspectivem um novo fôlego da Associação Libertária, ou seja, que sucintamente correspondam a um esforço colectivo de modo a satisfazer um conjunto de necessidades de funcionalidade da acção articulada das diversas sensibilidades anarquistas. No nosso caso, além de ser essencial consolidar as alterações de funcionamento interno do CCL que venham a ser aprovadas pela Assembleia Geral Extraordinária, precisamente, deverá ser encontrada uma linha de orientação que estabeleça a prioridade e vaticine preservar a identidade do anarquismo que se desenvolveu em Almada ao longo do século XX. É importante para que isso aconteça que se consiga construir uma narrativa histórica na qual o CCL se encontre inserido e a partir daí distinguir os aspectos especificamente anarquistas, apesar de pessoalmente conservarmos as vivências anti autoritárias, alternativas e contestatárias peculiares às várias tendências actuais do movimento social. Mas reparem: para podermos entender o alcance desta marcante posição que apela à convergência «assemblatária», que utiliza os próprios meios estatutários e processos de inclusão quer, para criar novas condições de cooperação e oportunidades de reflexão e aprofundamento do anarquismo, quer para corrigir alguns tópicos de orientação, principalmente, é preciso vislumbrar uma comunidade de homens e de mulheres que pretendam reiniciar o projecto inesgotável anarquista. Na verdade, para responder a essas exigências, sobretudo, quando se verifica o estado despiciente, os métodos difusos que muito caracterizam a existência onde o CCL vem desde há tempos permanecendo, parece-me que teremos de resolver primeiro a questão dominada pela intenção. A partir desta perspectiva é preciso considerar aquilo que diferencia os sócios na sua relação comum com os seus iguais, porque talvez isso possa contribuir para realmente esclarecer o grau de indefinição do CCL. Compreendi, antes de mais, que é necessário uma transformação que ameace o modo convencional das nossas presenças no contexto desta Associação Libertária, tendo em vista uma metamorfose propícia à relação original do pensamento com a vivacidade anarquista. Esta atitude constitui a própria vida da associação livre, sendo esse o sentido da mudança que empenhamos na concepção do anarquismo que teremos em novo encontro que discutir. Todos pela Anarquia!

CCL FOTO GORDILHO jpg

Da miséria da filosofia política à ideologia da máscara da miséria

OS BOLCHEVIQUES… ESSES MAIS NÃO SÃO DE QUE VELHOS PALADINOS BLANQUISTAS DA FORMA DITATURIAL DE GOVERNO. ALUSÃO CONFIRMADA PELA RECENTE DECLARAÇÃO: “O PCP REAFIRMA QUE É AO POVO VENEZUELANO QUE CABE DECIDIR O SEU PRÓPRIO FUTURO E DA FORMA DE ORGANIZAÇÃO DO ESTADO VENEZUELANO.”

UTOPIA NEGATIVA

Máquina dos simbolos

SÃO FRANCISCO

MÁQUINA DOS SIMBOLOS

É decididamente um erro subsistirem sinais ideológicos da propaganda bolchevista no âmbito das actividades do movimento anarquista actual. As referências derivadas do totalitarismo de estirpe leninista são imagens que emergem da esfera do simbolismo uraniano. O realismo socialista subordinado à influência do mundo antigo, remete heraldicamente para o mundo do trabalho escravo, não livre. A simbologia do céu e da transcendência da verticalidade é um primitivismo que garante a promoção da continuidade da vida e da concepção religiosa do alto Olimpo, transformado na soberania da ditadura do proletariado. A estrela de cinco pontas, brilhante e irradiando luz, é uma metáfora da magnificência sob a forma duma figura que aparece por via da influência inegável do esoterismo oriental em que o bolchevismo de origem eslava esteve suspenso. Portanto, importa evitar no quotidiano e na prática toda e qualquer crença astrológica que integre a experiência humana de uma maneira mágica numa escatologia arcaica substanciada no sobre-humano. É evidente – na medida em que assumindo a condição humana o anarquista não depende do determinismo astrológico e, consequentemente, não tem necessidade de horóscopos, de amuletos, de oblações, de êxtases, de estrelas flamejantes negras ou vermelhas – que ao sermos impelidos pela necessidade de nos situarmos no meio do mundo, quer para activar o princípio do apoio mútuo, quer para manter o influxo da acção libertária em qualquer lugar, em qualquer época, tornando real a nossa interligação como expressão da imanente força da vida, que agimos de forma a criar as condições de possibilidade que permitam realizar a revolução social e anarquista. Na verdade, estamos longe de nos termos apropriado da imagem da «estrela» que confere um significado determinado à representação e forma do pentagrama pitagórico. Tal vestígio iconológico, oriundo dos cultos órficos do período pré helénico, é hoje uma realidade ainda vivida no mercado ideológico e é plausível de ser também a caricatura democrática do culto do modelo totalitário plasmado no séc. XX através das ideias da esquerda política que enfatizou a figura do trabalhador. Quis apenas mostrar que a nossa intransigência rejeita a substituição de pseudo soluções e suprimir toda e qualquer alusão a tal efabulação exercida nos ritos pseudo revolucionários nele implicados.

 

 

Uma vertente da éticidade pública

TULE RIVER

Uma vertente da éticidade pública

De facto, a abertura do museu à sociedade contemporânea no processo de democratização da cultura criou um novo ambiente social. As consequências de todas estas transformações são imensas, e a visão global sobre a sociedade a que pertencemos vai no sentido de podermos considerar que a cultura na III república em Portugal deve pertencer aos cidadãos. Ora, como a noção de participação activa não rima com a verticalidade das estruturas dirigista e intervencionista do Estado na vida pública – o mesmo Estado que nas últimas décadas permitiu a multiplicação de organismos públicos e de “Fundações”, tornando-o mais presente e mais tutelar, este Estado que também fomentou a proliferação inédita de experiências que tornou visível a despesa descontrolada e a irresponsabilidade de sucessivas equipas de responsáveis pela direcção, gestão, administração das instituições públicas que não ponderaram a natureza dos recursos disponíveis, comprometendo globalmente com as suas inovadoras políticas para a cultura a possibilidade de se seguir nessa área um caminho não tutelado pelas indústrias culturais do governo – haverá que decidir-se entre duas alternativas: ou optar pela formação de uma astuta elite capaz de governar com os meios que a presente época disponibiliza, com base em estudos psicológicos de controlo dos processos cognitivos da mente, apesar de se manter o governo dentro dos limites do ilusório paradigma democrático, ou, numa outra escolha política oposta, optar por se libertar a consciência das massas submergidas pelo marketing governamental destilado pelo consumo alienado da cultura popular. Sendo certo que a cultura constitui socialmente uma dimensão irrevogável da cidadania, é, por isso, importante desestatizar a cultura, inferindo-se daqui uma limitação à função do Estado, para se devolver a cultura à polis, à liberdade da vida social da comunidade, isto é, aos cidadãos. Principalmente, porque a história não poderá nunca fazer-se sem inflectir esta determinação: «…a cidade há-de existir com as suas ruas amáveis, seus recessos de paz, suas sombras sussurrantes. Lá, enfim, faremos amor.»

A resposta muito resumida ao censor: facebook

Carlos Gordilho (1955) Artista Plástico e consultor cultural, integra o movimento da Arte da Performance em Portugal. Estudou língua e cultura francesa na Alliance Française, Paris, 1978; estudou língua neerlandesa no Koninklijk Instituut voor de Tropen, Amesterdão, 1989. Apresentou performances na SNBA, Lisboa, Desocultações Pinturas de Guerra, 1982 e Entardecer Revisitado, 1985, no Centro Georges Pompidou, Paris, De Helttor a Malttar: o deserto, 1984 e no Centro de Arte Moderna/F.C.G., Lisboa, Desencanto do Dia Claro e Interior Maldito, 1985, e ainda Minha Montanha Holandesa, 1989. Fundou o grupo de artes visuais Novo Selvagem, Almada, 1981; a revista Tendências & Locais, Amesterdão, 1987; a plataforma multidisciplinar para as artes Divisão Central, Almada, 1994. Bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian na área de investigação em artes visuais, Amesterdão. Licenciado em Filosofia, Faculdade de Letras, Universidade Clássica de Lisboa; Pós-Graduado em Sociologia do Sagrado e do Pensamento Religioso, Universidade Nova de Lisboa; Mestre em Museologia e Museografia, Faculdade de Belas-Artes, Universidade de Lisboa; cursou Teologia do Novo Testamento, Seminário Teológico de Lisboa; doutorando do curso Arte Contemporânea, Colégio das Artes, Universidade de Coimbra. Viveu em Paris, Amesterdão, São Francisco.

Filosofia social para uma sociedade decente

Elementos dispersos de filosofia social para uma sociedade decente

A breve história da existência da «Alternativa» em Almada perturbou os interesses particulares de algumas pessoas, sempre habilidosamente confundidos com o comum interesse público dos cidadãos. Os interesses dos caciques associados ao sector cultural do poder local democrático, como ousa dizer-se, necessitaram de alguma agitação popular de base leninista para provocar a conflitualidade, o desgaste do atrito inspirado na mais do que estafada teoria da luta de classes, para atingir os seus objectivos, porventura semelhantes aos que justificaram o protesto contra os Quartos Encontros Internacionais de Arte, nas Caldas da Rainha, em 1977. Furtando-se ao debate, ao fórum vivo do encontro de ideias, as actividades programadas do festival foram atacadas por agentes provocadores, manipulados a curta distância por elementos com ligação à estrutura local do Partido Comunista Português. Durante as sessões públicas programadas para o debate de ideias com a participação geral do público, esses elementos conjunta e articuladamente incitaram ao confronto verbal das pessoas presentes, à semelhança do que ocorrera em 1977, nas Caldas da Rainha, onde as estruturas locais do Partido Comunista Português ousaram emitir um comunicado contestando a arte que se fazia nos «Encontros», qualificando-a de anti-arte. Em Almada revelou-se mais uma vez a substância de uma ideologia populista, conservadora, que subsiste sedimentada quer em normas sociais quer em atávicos costumes deliquescentes. Em 1983, a actuação destes elementos que se movimentavam na área de influência política do deputado municipal Alexandre Castanheira (autor de Outrar-se ou a longa invenção de mim, Campo de Letras, Porto, 2003; Caixa de Ressonância, Instituto Piaget, Lisboa, 1998), um cacique intelectual formado nas fileiras clandestinas da oposição estalinista à política da ditadura nacional do Estado Novo, visou a luta política interna e, nesse sentido, veio a atingir um membro qualificado da tendência moderada, concretamente o Vereador do Pelouro do Ensino, Cultura, Desporto e Tempos Livres, Eduardo Rodrigues da Costa, fragilizando a posição sensível deste na dinâmica das relações de força que procurava mediar enquanto modo de diálogo e sinal de abertura à sociedade. Terá sido certamente nesta perspectiva que o Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Almada patrocinou de 1981-1983 as três edições do Festival. Neste sentido, forças locais heterogéneas tomaram expressão social face à impossibilidade de controlarem em benefício próprio as energias que se activaram com o festival, ou seja, os intelectuais e os artistas afectos à comum ordem das coisas locais não dispunham de instrumentos conceptuais que os ajudassem a assimilar a «Alternativa» às suas interpretações de carácter político-social. O modo de trabalho político enraizado nas suas concepções leninistas da organização não lhes permitia a alteridade radical proposta pelos projectos dos artistas que se apresentavam no contexto do festival. Essas forças foram então conduzidas no sentido de prefigurarem um delta no campo da acção política confluindo para o domínio da estrutura local do Partido Comunista Português: a organização interna e a sua correlação com o governo da cidade. É um momento de mudança que veio a reflectir-se nas opções tomadas em matéria de trabalho político no plano autárquico. Entretanto, foi renovado o elenco da equipa que viria a constituir a imagem de marca dos candidatos autárquicos que até hoje dominam completamente a cidade. Numa primeira análise são detectados vectores afectos a diversos agentes que actuam confluindo ocasionalmente com interesses que se inscrevem nas suas próprias carreiras pessoais. Considere-se desde logo o caso de encenador e director da Companhia de Teatro de Almada, Joaquim Benite (1943-2012, Medalha de Ouro da cidade) veterano compagnon de route do Partido Comunista Português, profissional oriundo do jornalismo. Da sua biografia publicada consta, entre outras preciosidades, que em 1969 foi membro da comissão política nacional da Comissão Democrática Nacional da CDE, intelectual de elevado gabarito que no pós-25 de Abril acompanhou o Presidente Costa Gomes nas viagens à Polónia e à URSS e os primeiros ministros de Portugal Palma Carlos e Vasco Gonçalves às conferências da NATO em Bruxelas, durante o período designado por processo revolucionário em curso (PREC). Paralelamente, realce-se o aspecto cultural da sua intervenção pública no domínio da arte da encenação, enredada em estratagemas de manipulação social, realmente mais comprometida com a maior farsa política do século XX: a manipulação cultural dos símbolos ao serviço da propaganda internacional para a defesa da tese do «socialismo num só país». Será também o caso do Director do Centro de Arte Contemporânea, em Almada, o pintor Rogério Ribeiro (1930-2008, Medalha de Ouro da cidade) formado intelectualmente no crisol das ideias do movimento neo-realista, e que nos anos 80 foi projectado pelas estruturas centralizadas do Partido Comunista Português para o trabalho autárquico em Almada. No nosso entender, o projecto do crítico de arte plásticas Egídio Álvaro na intersecção activa destas forças constituiu-se como o elemento a erradicar, significando isso a inviabilidade do projecto mobilizado pelo festival. Entretanto, o grupo de Teatro de Campolide, na época sedeado temporariamente nas instalações da Academia de Instrução e Recreio Familiar Almadense (AIRFA) desde 1978, passa a designar-se Companhia de Teatro de Almada e inicia o processo de profissionalização enquanto companhia residente. Sendo a jóia da coroa da autarquia, contribuindo virtualmente para o equilíbrio das finanças locais, a «Companhia» conformou-se a subsistir no estado periclitante da dependência… (ainda hoje é suportada com o financiamento público da administração local e central). O triunfo da representação, ou seja, da acção teatral enquanto pedagogia para a conformidade cívica da população, revela-se em indicadores como a abstenção de perto de 60% dos eleitores inscritos (174.000 habitantes) nas eleições para os órgãos locais. E não terá sido por acaso que o início do Festival de Teatro de Almada, em 1984, no quadro da política cultural desenvolvida pelo poder local, tenha coincidido com a inviabilização da «Alternativa».

Performance Sono e Vigilia ao Despertar da Arte, parte I

Performance Sono e Vigilia ao Despertar da Arte, parte I

Performance Sono e Vigilia ao Despertar da Arte, parte II

3 Performance Sono e Vigilia ao Despertar da Arte, Parte II

6 Performance Sono e Vigilia ao Despertar da Arte, Parte II

Filosofia social para uma sociedade decente

Elementos dispersos de filosofia social para uma sociedade decente

A breve história da existência da «Alternativa» em Almada perturbou os interesses particulares de algumas pessoas, sempre habilidosamente confundidos com o comum interesse público dos cidadãos. Os interesses dos caciques associados ao sector cultural do poder local democrático, como ousa dizer-se, necessitaram de alguma agitação popular de base leninista para provocar a conflitualidade, o desgaste do atrito inspirado na mais do que estafada teoria da luta de classes, para atingir os seus objectivos, porventura semelhantes aos que justificaram o protesto contra os Quartos Encontros Internacionais de Arte, nas Caldas da Rainha, em 1977. Furtando-se ao debate, ao fórum vivo do encontro de ideias, as actividades programadas do festival foram atacadas por agentes provocadores, manipulados a curta distância por elementos com ligação à estrutura local do Partido Comunista Português. Durante as sessões públicas programadas para o debate de ideias com a participação geral do público, esses elementos conjunta e articuladamente incitaram ao confronto verbal das pessoas presentes, à semelhança do que ocorrera em 1977, nas Caldas da Rainha, onde as estruturas locais do Partido Comunista Português ousaram emitir um comunicado contestando a arte que se fazia nos «Encontros», qualificando-a de anti-arte. Em Almada revelou-se mais uma vez a substância de uma ideologia populista, conservadora, que subsiste sedimentada quer em normas sociais quer em atávicos costumes deliquescentes. Em 1983, a actuação destes elementos que se movimentavam na área de influência política do deputado municipal Alexandre Castanheira (autor de Outrar-se ou a longa invenção de mim, Campo de Letras, Porto, 2003; Caixa de Ressonância, Instituto Piaget, Lisboa, 1998), um cacique intelectual formado nas fileiras clandestinas da oposição estalinista à política da ditadura nacional do Estado Novo, visou a luta política interna e, nesse sentido, veio a atingir um membro qualificado da tendência moderada, concretamente o Vereador do Pelouro do Ensino, Cultura, Desporto e Tempos Livres, Eduardo Rodrigues da Costa, fragilizando a posição sensível deste na dinâmica das relações de força que procurava mediar enquanto modo de diálogo e sinal de abertura à sociedade. Terá sido certamente nesta perspectiva que o Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Almada patrocinou de 1981-1983 as três edições do Festival. Neste sentido, forças locais heterogéneas tomaram expressão social face à impossibilidade de controlarem em benefício próprio as energias que se activaram com o festival, ou seja, os intelectuais e os artistas afectos à comum ordem das coisas locais não dispunham de instrumentos conceptuais que os ajudassem a assimilar a «Alternativa» às suas interpretações de carácter político-social. O modo de trabalho político enraizado nas suas concepções leninistas da organização não lhes permitia a alteridade radical proposta pelos projectos dos artistas que se apresentavam no contexto do festival. Essas forças foram então conduzidas no sentido de prefigurarem um delta no campo da acção política confluindo para o domínio da estrutura local do Partido Comunista Português: a organização interna e a sua correlação com o governo da cidade. É um momento de mudança que veio a reflectir-se nas opções tomadas em matéria de trabalho político no plano autárquico. Entretanto, foi renovado o elenco da equipa que viria a constituir a imagem de marca dos candidatos autárquicos que até hoje dominam completamente a cidade. Numa primeira análise são detectados vectores afectos a diversos agentes que actuam confluindo ocasionalmente com interesses que se inscrevem nas suas próprias carreiras pessoais. Considere-se desde logo o caso de encenador e director da Companhia de Teatro de Almada, Joaquim Benite (1943-2012, Medalha de Ouro da cidade) veterano compagnon de route do Partido Comunista Português, profissional oriundo do jornalismo. Da sua biografia publicada consta, entre outras preciosidades, que em 1969 foi membro da comissão política nacional da Comissão Democrática Nacional da CDE, intelectual de elevado gabarito que no pós-25 de Abril acompanhou o Presidente Costa Gomes nas viagens à Polónia e à URSS e os primeiros ministros de Portugal Palma Carlos e Vasco Gonçalves às conferências da NATO em Bruxelas, durante o período designado por processo revolucionário em curso (PREC). Paralelamente, realce-se o aspecto cultural da sua intervenção pública no domínio da arte da encenação, enredada em estratagemas de manipulação social, realmente mais comprometida com a maior farsa política do século XX: a manipulação cultural dos símbolos ao serviço da propaganda internacional para a defesa da tese do «socialismo num só país». Será também o caso do Director do Centro de Arte Contemporânea, em Almada, o pintor Rogério Ribeiro (1930-2008, Medalha de Ouro da cidade) formado intelectualmente no crisol das ideias do movimento neo-realista, e que nos anos 80 foi projectado pelas estruturas centralizadas do Partido Comunista Português para o trabalho autárquico em Almada. No nosso entender, o projecto do crítico de arte plásticas Egídio Álvaro na intersecção activa destas forças constituiu-se como o elemento a erradicar, significando isso a inviabilidade do projecto mobilizado pelo festival. Entretanto, o grupo de Teatro de Campolide, na época sedeado temporariamente nas instalações da Academia de Instrução e Recreio Familiar Almadense (AIRFA) desde 1978, passa a designar-se Companhia de Teatro de Almada e inicia o processo de profissionalização enquanto companhia residente. Sendo a jóia da coroa da autarquia, contribuindo virtualmente para o equilíbrio das finanças locais, a «Companhia» conformou-se a subsistir no estado periclitante da dependência… (ainda hoje é suportada com o financiamento público da administração local e central). O triunfo da representação, ou seja, da acção teatral enquanto pedagogia para a conformidade cívica da população, revela-se em indicadores como a abstenção de perto de 60% dos eleitores inscritos (174.000 habitantes) nas eleições para os órgãos locais. E não terá sido por acaso que o início do Festival de Teatro de Almada, em 1984, no quadro da política cultural desenvolvida pelo poder local, tenha coincidido com a inviabilização da «Alternativa».

Performance Sono e Vigilia ao Despertar da Arte, parte I

Performance Sono e Vigilia ao Despertar da Arte, parte I

Performance Sono e Vigilia ao Despertar da Arte, parte II

1 performance Sono e Vigilia ao Despertar da Arte, parte II

2 Performance Sono e Vigilia ao Despertar da Arte, parte II

Performance Sono e Vigilia ao Despertar da Arte, parte II

Esquisso para Performance Arte, parte I

ESQUISSO PERFORMANCE, PRIMEIRO TEMPO

Esquisso para Performance Arte, parte II

ESQUISSO PERFORMANCE, SEGUNDO TEMPO

Festival Internacional Arte Viva, Alternativa 3, Almada 1983, catálogo p. 22

Catalogo Festival Internacional de Arte Viva, Alternativa 3, p. 22, Almada 1983

Há 34 anos erradicaram a “Alternativa”

NÃO ESQUEÇO ANTONIN ARTAUD

Depois de há 34 anos erradicarem o Festival Internacional de Arte Viva, «Alternativa», em Almada, os «camaradas bolcheviques» do PCP consolidaram o kitsch institucional, prolongando a noite dogmática sob a forma da grande cultura. Infelizmente, por manterem uma mentalidade enfeudada no burocratismo do partido, parece nunca terem compreendido o que é o comunismo, talvez também por este ser utópico e se projectar no futuro.

O fim da “Alternativa” em Almada

Quanto ao meu famigerado «annus terribilis», se foi possível subtrair-me à vigilância e antecipar-me à execução da detenção ordenada em 1976 pelo 3º Tribunal Militar Territorial de Lisboa, posso dizer que o mesmo não aconteceu em 1983. Como se sabe, neste ano tinha sido julgado e condenado pelo mesmo «Tribunal Militar», situado no Campo de Santa Clara, perante um juízo colectivo constituído por altas patentes militares representando os três ramos das Forças Armadas Portuguesas. Na ocasião, ainda tive tempo para participar em Almada no Festival Internacional de Arte Viva, Alternativa 3. Facto é que, quando o programa do festival terminou, nesse ano, fui detido em Cacilhas próximo da igreja localizada na rua Cândido dos Reis e levado imediatamente para o Forte de Caxias. A acusação prendia-se com actos cometidos no período chamado verão quente, em 1975, uma circunstância da história dos oprimidos na qual enquanto anarquistas participámos projectando a forma social do levantamento geral e revolucionário.

Catálogo Festival Internacional de Arte Viva, Alternativa 3, Almada 1983

CATALOGO FESTIVAL INTERNACIONAL DE ARTE VIVA «ALTERNATIVA 3», ALMADA 1983

Cartaz Festival Internacional de Arte Viva, Alternativa 3, Almada 1983

CARTAZ FESTIVAL INTERNACIONAL DE ARTE VIVA «ANTERNATIVA 3» ALMADA, 1983

PROJECTO DE PAGINA PARA CATALOGO ALTERNATIVA 3

Desenho “Cavaleiro Azul” – Forte de Caxias

FORTE MILITAR DE CAXIAS - DESENHO «CAVALEIRO AZUL»

NOTAS PARA A PERFORMANCE INFERNO MUSICAL