Uma vertente da éticidade pública

TULE RIVER

Uma vertente da éticidade pública

De facto, a abertura do museu à sociedade contemporânea no processo de democratização da cultura criou um novo ambiente social. As consequências de todas estas transformações são imensas, e a visão global sobre a sociedade a que pertencemos vai no sentido de podermos considerar que a cultura na III república em Portugal deve pertencer aos cidadãos. Ora, como a noção de participação activa não rima com a verticalidade das estruturas dirigista e intervencionista do Estado na vida pública – o mesmo Estado que nas últimas décadas permitiu a multiplicação de organismos públicos e de “Fundações”, tornando-o mais presente e mais tutelar, este Estado que também fomentou a proliferação inédita de experiências que tornou visível a despesa descontrolada e a irresponsabilidade de sucessivas equipas de responsáveis pela direcção, gestão, administração das instituições públicas que não ponderaram a natureza dos recursos disponíveis, comprometendo globalmente com as suas inovadoras políticas para a cultura a possibilidade de se seguir nessa área um caminho não tutelado pelas indústrias culturais do governo – haverá que decidir-se entre duas alternativas: ou optar pela formação de uma astuta elite capaz de governar com os meios que a presente época disponibiliza, com base em estudos psicológicos de controlo dos processos cognitivos da mente, apesar de se manter o governo dentro dos limites do ilusório paradigma democrático, ou, numa outra escolha política oposta, optar por se libertar a consciência das massas submergidas pelo marketing governamental destilado pelo consumo alienado da cultura popular. Sendo certo que a cultura constitui socialmente uma dimensão irrevogável da cidadania, é, por isso, importante desestatizar a cultura, inferindo-se daqui uma limitação à função do Estado, para se devolver a cultura à polis, à liberdade da vida social da comunidade, isto é, aos cidadãos. Principalmente, porque a história não poderá nunca fazer-se sem inflectir esta determinação: «…a cidade há-de existir com as suas ruas amáveis, seus recessos de paz, suas sombras sussurrantes. Lá, enfim, faremos amor.»

A resposta muito resumida ao censor: facebook

Carlos Gordilho (1955) Artista Plástico e consultor cultural, integra o movimento da Arte da Performance em Portugal. Estudou língua e cultura francesa na Alliance Française, Paris, 1978; estudou língua neerlandesa no Koninklijk Instituut voor de Tropen, Amesterdão, 1989. Apresentou performances na SNBA, Lisboa, Desocultações Pinturas de Guerra, 1982 e Entardecer Revisitado, 1985, no Centro Georges Pompidou, Paris, De Helttor a Malttar: o deserto, 1984 e no Centro de Arte Moderna/F.C.G., Lisboa, Desencanto do Dia Claro e Interior Maldito, 1985, e ainda Minha Montanha Holandesa, 1989. Fundou o grupo de artes visuais Novo Selvagem, Almada, 1981; a revista Tendências & Locais, Amesterdão, 1987; a plataforma multidisciplinar para as artes Divisão Central, Almada, 1994. Bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian na área de investigação em artes visuais, Amesterdão. Licenciado em Filosofia, Faculdade de Letras, Universidade Clássica de Lisboa; Pós-Graduado em Sociologia do Sagrado e do Pensamento Religioso, Universidade Nova de Lisboa; Mestre em Museologia e Museografia, Faculdade de Belas-Artes, Universidade de Lisboa; cursou Teologia do Novo Testamento, Seminário Teológico de Lisboa; doutorando do curso Arte Contemporânea, Colégio das Artes, Universidade de Coimbra. Viveu em Paris, Amesterdão, São Francisco.

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